Thalita Rebouças fala sobre sua carreira ao LB na Bienal do Rio

Thalita Rebouças

A equipe do LB esperava a autora na sala reservada do estande da editora Rocco, e antes que pudéssemos descansar nos confortáveis e espaçosos sofás que nos retiravam do ambiente elétrico da XV Bienal do Livro Rio 2011, Thalita Rebouças entrou pela porta com a cara de quem havia acabado de autografar 200 livros. Lamentava com sua assessora que algumas meninas não haviam conseguido senha para falar com ela, tirar foto e pegar o autógrafo com o famoso beijo de batom, sua marca mais do que registrada. Cuidadosa, queria abraçar de uma vez todos os fãs que a cercavam ansiosos. Mesmo muito cansada, aceitou falar rapidamente com o site, mas não antes de pedir para que diminuíssem um pouco a potência do ar condicionado. Thalita precisava cuidar da voz: era apenas o primeiro dos 8 dias em que iria para a feira.

 O que mudou da Thalita Rebouças que veio pra a Bienal do Livro Rio há exatos dez anos e gritou, subiu na cadeira e se fantasiou para chamar a atenção dos leitores, para essa que alcançou a marca de 1 milhão de livros vendidos, tem fãs ensandecidos e que virá dar autógrafos em nada menos que 8 dias de feira? O que mudou de lá pra cá?

Mudou só que as pessoas agora me conhecem, né?! A animação continua, a vontade de escrever pra adolescente continua, o prazer de fazer companhia pra adolescente continua. Na verdade, mudou por fora, porque eu continuo a mesma.

Você escreve do coração para o papel e assim fica, ou a Thalita jornalista aparece com a técnica, com as artimanhas pra prender o leitor?

Eu escrevo do coração pro papel e a Thalita jornalista é a que revisa [risos].

Você acaba de escrever sobre a primeira vez das meninas o livro “Era uma Vez Minha Primeira Vez”, sobre a dificuldade que é ser adolescente e passar por esse momento que, afinal de contas, faz parte da vida de toda menina. Você teve medo da reação de pessoas com um pensamento mais conservador? Foi um tema difícil de trabalhar, que exigiu um cuidado especial, ou foi natural pra você?

Não. Acho que hoje em dia está tudo tão explícito nas revistas, nas novelas, na internet, entendeu?! O meu livro é super light perto de tudo. Porque, na verdade, eu falo de sexo sem falar sobre sexo. O que importa ali é o antes e o depois. Então eu não me policiei, escrevi com o mesmo carinho e a mesma dedicação de sempre, mas não fiquei preocupada. Tem onze outros livros, e os mais conservadores podem comprar os outros, então não me preocupei, não.

É claro que pra quem é escritor, escrever é um prazer, algo do qual você não quer se livrar nunca. Mas o que você imagina estar escrevendo daqui a 15 ou 20 anos?

Pra adolescentes, com certeza. Daqui a 20, 30, 40, 60 anos estarei escrevendo pra adolescentes. E com muito humor, que é o que me diverte quando eu escrevo e que os diverte também, quando me lêem.

 

Veja também a entrevista do Literatura no Brasil com a biógrafa da poetisa Cora Colina, Rita Elisa Seda.

Comentário
  1. Bruno Rodrigues

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