Kerouac e seu On the road: o grito de toda uma geração

A webresenha da vez é um livro considerado por muitos a tradução de toda uma época: On the road, de Jack Kerouac. Confesso que durante as primeiras cem páginas tive um certo comichão, uma vontade louca de sair por aí sem lenço e sem documento. Mas, quanto mais ia avançando nas páginas, essa inquietação ia passando, como conto nesta resenha.

Kerouac traduz em algumas muitas páginas (384 na tradução de Eduardo Bueno pela L&PM Pocket) o que se tornaria a geração beat – uma espécie de revolução cultural – que pregava a busca por novas experiências, um novo contrato com a vida. Os adeptos dessa revolução queriam liberdade para pensar e fazer o que desse na cabeça, queriam se desvencilhar de suas vidas pacatas e sem emoção.

A história de Kerouac se funde com o enredo de On the road. Em 1947 o autor colocou literalmente o pé na estrada. Em sua viagem pelo mundo, conheceu muita gente excêntrica e que muito contribuiu para a sua obra.

On the road - Jack KerouacO autor escreveu o livro entre 9 e 27 de abril de 1951. Esse original foi escrito todo num rolo de papel de telex de quarenta e sete metros de prosa sem pontuação. Sendo recusado inúmeras vezes por diversas editoras, Kerouac cedeu e reescreveu a obra inúmeras vezes. Quando enfim conseguiu com que o livro fosse publicado, ainda teve que suprimi-lo em cerca de 120 páginas. Muitos dizem que a obra que poderia ser considerada totalmente espontânea inexiste na versão final. O livro foi publicado em 1957 e desde então é referência para todos os movimentos de vanguarda posteriores.

On the road narra as aventuras e desventuras de Sal Paradise – que muitos afirmam ser o próprio Kerouac – e Dean Moriarty em diversas incursões pelos Estados Unidos e também pelo México entre meados de 1947 e início dos anos 50. Personagens vêm e vão durante o romance: os velhos e novos amigos, os diversos amores de Dean, a tia do narrador e sua família. Lugares são visitados mais de uma vez, várias ondas são vividas por meio da benzedrina e também por uísque, e o que mais se faz presente durante todo o livro é o medo do futuro, de não conseguir realizar tudo o que se sonhou.

Paradise e Dean atravessaram o país inteiro a partir da lendária Rota 66, ao som de muito be pop – uma das correntes mais influentes do Jazz – misturando emoção, ação, reflexão, sonho e diversas sensações relacionadas aos lugares em que eles aportavam e também às substancias e bebidas que ingeriam.

Voltando às minhas percepções. Como disse antes, no início tive muita vontade de sair por aí, mas tal vontade passou pelo seguinte motivo: depois de certo tempo lendo o livro, determinados fatos começaram a se tornar repetitivos, velhas histórias voltaram à tona de uma maneira meio arrastada. Acredito que essa repetição é devido ao fato da versão original do livro ter sido escrita num período muito curto, onde Kerouac estava à base de benzedrina e outras substâncias. Mesmo depois de várias modificações, a essência do original ficou, e suas ideias podem sim ter ficado repetitivas!

Uma coisa que deixa qualquer um em êxtase durante todo o livro é sua melodia. Como Kerouac conseguiu embutir essas sensações eu não sei! Só sei que a impressão que tive durante todo o livro é de estar escutando um bom e velho jazz!

On the road é sem dúvida leitura obrigatória pra quem quer sentir um pouquinho do gostinho do que foi a geração beat e toda uma revolução cultural! Não foi a toa que Bob Dylan fugiu de casa depois de ler essa obra-prima!

On The Road – Pé na Estrada
Jack Kerouac
A partir de: R$ 12,00
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