O Invasor de Marçal Aquino – revisitando Dostoiévski em SP

Falamos aqui no Literatura no Brasil sobre o relançamento do livro O Invasor (2011 – Companhia das Letras) de Marçal Aquino pelo selo Má Companhia. Então, a webresenha constatou que o livro é realmente interessante, e revisita o grande clássico Crime e Castigo em sua essência, repaginando o enredo para a realidade da metrópole paulistana.

O Invasor trata de um crime cometido em conjunto por dois sócios contra o terceiro, majoritário, através de um assassino de aluguel. Um dos mandantes, Ivan, nosso protagonista, é um homem fraco, com uma vida amorosa fracassada, que acaba descobrindo o amor. Nessa introdução, já constatamos muitas semelhanças com o clássico russo, apesar da evidente diferença de estilo e até de extensão da trama. Enquanto nas edições mais novas de Crime e Castigo o leitor encontrará por volta de 500 páginas, em O Invasor o leitor terá uma leitura rápida e fluente, de apenas 128 páginas.
O InvasorApesar disso, O Invasor não deve muito em relação à profundidade do enredo. De forma simples, o autor consegue relatar episódios em diferentes ambientes. Outra característica interessante no livro é o tempo, explorado por Marçal de forma não linear em alguns momentos: o protagonista conta o que ocorreu à tarde, e em seguida relata o ocorrido na manhã do mesmo dia. Não é um pulo enorme no tempo, a ponto de fazer com que o leitor se perca, mas os menos atentos podem não entender direito a trama.

Mais semelhanças evidentes entre as duas obras, a brasileira e o clássico russo, são a paranóia, mania de perseguição e arrependimento que o protagonista sofre após o crime, ou seja, a grande penetração psicológica tão trabalhada por Dostoievski e outros grandes russos. Nisto, Marçal difere um pouco de outro clássico, desta vez brasileiro, de romance policial: Rubem Fonseca. Enquanto em Fonseca a maioria dos criminosos possuem o sentimento de libertação do monstro interior, o id para os freudianos, aqui o protagonista sofre com seu crime, e entra num ciclo de arrependimento como num castigo do superego. Assim foi com Raskólnikov.

Mas, o que difere Crime e Castigo de O Invasor? Além das diferenças óbvias, podemos afirmar que o desfecho é importantíssimo e marca bem o estilo de escrita das duas épocas. Enquanto Dostoievski preferiu um desfecho fechado, como era normal em sua época, Marçal não entrou em detalhes para a questão do “castigo”. Este ficou totalmente aberto, apesar de subentendido.

Para saber se a paranóia de Ivan é justificada, e qual o desfecho dessa história que tanto revista Crime e Castigo, recomendamos a leitura de O Invasor de Marçal Aquino.

O Invasor
Marçal Aquino
A partir de: R$ 15,20
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