Primeiro sábado de descobertas na Bienal do Livro Rio 2011

Duas mesas do Café Literário da VX Bienal do Livro Rio 2011 que aconteceram nesse sábado, dia 03 de setembro são “Histórias de mulheres, fontes de narrativas” com Leticia Wierzchowski e Audrey Niffenegger, e a mesa “Escrever em situação pós-colonial”, com Amitav Ghosh  e Abraham Verghese. Todos esses autores se saíram bem no bate papo com os mediadores e diante das perguntas do público.

A mesa das autoras começou às 14h pontualmente, e foi uma surpresa para os leitores menos informados. A norte-americana Audrey Niffenegger é autora do bestseller A mulher do viajante do tempo, e conversou sobre o papel da mulher no enredo literário com a brasileira Leticia Wierzchowski, autora do livro A casa das sete mulheres. A série homônima foi adaptada para a televisão pela Rede Globo, mas pouco se sabia sobre a autora.

Leticia Wierzchowski - autora de A casa das sete mulheres

Leticia Wierzchowski - autora de A casa das sete mulheres

A norte-americana revelou que alguns de seus personagens são inspirados em pessoas de seu convívio, como um ex-namorado obsessivo. Já Leticia explica que o tema “família” é muito forte em seus romances, e para isso teve que se afastar um pouco de sua própria família no começo de sua carreira literária.

O mais interessante é a colocação das autoras sobre a adaptação de seus livros. A mulher do viajante do tempo foi adaptado para o cinema em 2009 para o cinema e A casa das sete mulheres teve a adaptação de grande sucesso para a televisão. Segundo Audrey, jamais os atores conseguirão viver aquilo que seus personagens do livro vivem, e Leticia, que também é roteirista, afirmou que o livro tem que ser mexido mesmo, pois seria impossível 60 personagens, por exemplo, caberem em um filme.

A mesa das 17h, “Escrever em situação pós-colonial”, teve um enfoque um pouco diferente. Ainda pouco conhecidos no Brasil, os indianos Amitav Ghosh  e Abraham Verghese já possuem uma carreira nos EUA, onde vivem. A conversa com os autores realizou bem o que propôs o tema da mesa, e todos puderam conhecer um pouco mais sobre a realidade da Índia, e como a cultura se processa nesse país.

Amitav Ghosh é autor do romance indicado ao Prêmio Booker de 2008, Mar de Papoulas, um romance épico que parte das relações entre homens de diferentes origens dentro do navio inglês Ibis. Abraham Verghese, autor do recém lançado no Brasil O 11º mandamento, apesar de ter nascido na Etiópia, formou-se em medicina na Índia, e se considera um indiano. A medicina é tema recorrente em sua obra, e, na Bienal, o autor contou que aprendeu mais sobre o corpo humano na índia que nos EUA, onde reside há tempos.

Diferentemente dos romances bestsellers sobre a miséria, as obras desses autores perecem sair do lugar comum e explorar um pouco mais o contexto social, não se limitando ao tema romântico e empenhando um olhar de fora (ambos vivem nos EUA) sobre a realidade de sua terra natal.

O balanço dessas duas mesas foi bastante produtivo. Para quem não conhecia os autores, certamente vale a pena procurar um pouco mais sobre suas obras.

Veja a programação completa do Café Literário da Bienal do Livro Rio 2011.

Deixe seu comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


*