Resumo da FLIP – mesa 2, Marco Zero Modernista

Preparamos um resumo da mesa 2 da FLIP 2011 para que todos possam refletir sobre os pormenores dos discursos dos autores convidados este ano.

Marcia Camargos começou seu discurso um pouco nervosa, mas logo se soltou para “prestar uma singela homenagem às mulheres que utilizam a palavra escrita para transformar a realidade.” Em seguida, ela criticou já o tema de sua mesa “Marco zero modernista”, explicando que antes da semana de vinte e dois já havia o Pré-Modernismo, com trabalhos inovadores desde o simbolismo, desmistificando um pouco, assim, esse marco zero.

Para a autora, “Oswald de Andrade era um grande apaixonado que engolia a vida como se fosse um banquete antropofágico.” Em seguida, ela falou da amizade do autor com Mário de Andrade, explicando que não eram parentes, apesar do sobrenome em comum, mas eles tinham uma química tão forte que a autora afirmou que “Mario era o cimento, o Oswald era a areia. Mario apolínico, Oswald dionisíaco.”

Ainda Marcia, explicando um dos termos mais difundidos na propaganda modernista, a autora diz que antropofagia não é sinônimo de canibalismo, como alguns podem confundir nos dias de hoje. Lembra que Oswald datou seu Manifesto Antropófago como ano 374 da deglutição do Bispo Sardinha, arrancando risos da plateia.

Contando mais sobre a vida de Oswald de Andrade, Marcia Camargos explicou que os mitos, retomando Antonio Candido na abertura da FLIP, faziam de Oswald um personagem: “Oswald escandaliza pelo próprio fato de existir. Ele era um escândalo ambulante.”

O mais inovador dentre os modernistas. Abriu caminhos. Embora Oswald fosse de uma família de cafeicultores, ou seja, fazia parte de uma elite. Mas muito em consequência da convivência com Pagu, uma figura importantíssima na vida do poeta, Oswald partiu para a luta operária e antifascista, produzindo arte e praticando um jornalismo mais combativo, que partia mais para a luta política.

Gonzalo Aguilar comentou que a mobilidade definiu bastante a obra de Oswald, retomando o que o crítico Antonio Candido havia falado na noite anterior. Vale ressaltar que ambos palestrantes frisaram o Manifesto Antropófago, inclusive utilizando o painel para mostrar alguns fac-símiles da primeira publicação, em jornal, do manifesto.

A importância do pé, como “mobilidade”. A experiência estava no pé, os lugares por onde andava, etc., segundo Oswald. Gonzalo comparou “Abaporu” a “O Pensador”, de Rodin. “Pensar com os pés, e não sentado em uma cadeira.”, comentou o argentino.

A nudez: cristianismo, vestido porque pecou. Homem natural de Oswald é um homem sem pecado ou redenção. A felicidade do índio está na terra, e não no céu, na promessa do pós-morte. “Para o movimento antropófago, o corpo não tem culpa, não tem pecado, a felicidade está na terra”, disse Gonzalo.

A equipe do Literatura no Brasil enviou uma pergunta para os autores: Qual foi a dimensão da presença de Fillipo Tommaso Marinetti na cena do modernismo e as relações entre o Manifesto Futurista, publicado no jornal Le Figaro em 1909 e a Semana de 22? A resposta foi hesitante. Os autores tentaram combinar o fato de que o Futurismo como ideia de arte do futuro foi incorporada pelos modernos, porém ressaltando a posterior recusa de Oswald e todos os outros do fascismo de Marinetti. Lembraram, inclusive, que Marinetti fora vaiado na turnê em São Paulo por falar de política.

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