Resumo da Flip – mesa 5, Viagens literárias

A mesa 5 da Flip – Viagens literárias – foi formada por dois autores quase desconhecidos, mas que acabaram surpreendendo os espectadores. Andrés Neuman, argentino que está lançando o livro O viajante do século, e Michel Sledge, americano que lançou na Flip 2011 um curioso livro sobre os 15 anos que Elizabeth Bishop viveu no Brasil.

Sledge, após ler um trecho de seu livro A Arte de Perder em que Bishop faz um poema sobre sua chegada a Santos, comentou que, para ele, escrever é imaginar, brincar, se divertir, enfim, vir ao Brasil e pesquisar sobre Bishop, por exemplo.

Andrés Neuman

O escritor argentino Andrés Neuman

Andrés Neuman, após ter lido um ótimo trecho de seu livro, surpreendeu a todos da Flip quando declarou que “escrever sobre o que se conhece é um péssimo conselho dos americanos. Bom é escrever sobre o que não se conhece, o trabalho de pesquisa. O desejo de conhecer aquilo que não entendo e não conheço.”

Para o argentino, a construção dos personagens é a pesquisa mais fascinante. Ele acredita que lidar com os personagens que cria é como se ele, o autor, fosse um diretor trabalhando com seus atores.

Sledge contou que sua pesquisa no Brasil foi muito interessante para interpretar melhor todas as cartas de Bishop, material básico para a produção de seu livro. Ainda, sobre a discussão do que era realidade e o que era ficção, o americano afirmou que respeitou inteiramente a biografia de Bishop, mas acrescentou elementos ficcionais para criar alguns detalhes que as cartas não possuíam, como as passagens de relações íntimas, por exemplo.

Os autores contaram mais sobre sua produção literária, e Neuman revelou que sofreu influências de outros autores latinos consagrados como García Márquez e Ítalo Calvino para escrever o livro O viajante do século, sobretudo para construir o que ele chamou de cidades alegóricas, recurso literário muito bem utilizado pelos autores citados. Ainda sobre a produção literária, afirmou que o escritor deve ter algo de vampiro para se apropriar dos sentimentos dos outros, lembrando a característica de observador dos escritores.

A mesa foi uma surpresa nessa Flip, especialmente por Andrés Neuman, que encantou os espectadores.

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