Suor – Jorge Amado

Suor, terceiro romance de Jorge Amado, publicado em 1934, acaba de ser relançado pela Companhia das Letras (160 pág., R$38,00). O novo projeto gráfico segue o belo padrão das outras obras do autor publicadas pela editora e conta com o consistente posfácio de Luiz Gustavo Freitas Rossi, especialista em Jorge Amado.

Suor faz parte da obra de Jorge Amado que a crítica literária reconheceu e estigmatizou como de cunho fortemente socialista, ou, como podemos ouvir com frequência nas rodas de literatura, “panfletária”. No entanto, ainda que essa constatação ideológica esteja correta, não devemos tomar Suor simplesmente por esse viés, mas reconhecer seu valor literário e sua contribuição para o pensamento social brasileiro.

Suor, de Jorge Amado

No romance (com forte influência de O Cortiço, de Aluísio Azevedo), Jorge Amado tematiza a vida miserável e promíscua da gente amontoada num velho sobrado do Pelourinho, em meio a ratos, baratas e cachorros. Velhos, prostitutas e homossexuais passam pelas páginas do livro, onde se ilumina a figura de Linda, jovem que vai se ligar a um líder operário, o mecânico Álvaro, iniciando-se, assim, em projetos de transformação social. Num comício baiano, Álvaro cai morto, atingido por uma bala disparada pela polícia, mas Linda não abandona ideias, nem ideais. Vai em frente, distribuindo panfletos, em cumprimento de sua missão revolucionária, em busca de um mundo novo. Neste ínterim, o autor dá voz aos oprimidos e monta um rico painel da sociedade excluída.

Suor foi um dos livros de Jorge Amado queimados em praça pública em 1937, por ordem da polícia do Estado Novo, de Getúlio Vargas. Ganhou edição russa no ano seguinte ao de sua publicação e desde então foi traduzido também para o alemão, inglês, francês, espanhol, italiano, polonês e tcheco, além da edição portuguesa. O economista Celso Furtado, em suas aulas em universidades americanas na década de 70, sobre as estruturas sociais brasileiras, utilizava trechos de Suor porque, em suas palavras, Jorge Amado “nos conduz pelos labirintos de uma sociedade cruel, mas constituída por gente em quem domina o desejo de fazer o bem, mesmo quando isso não está ao seu alcance.”

O Literatura no Brasil recomenda Suor por sua narativa polifônica moderna e ágil e por seus temas indispensáveis numa discussão sobre a formação social brasileira e seus inerentes desajustes e desigualdades.

Suor
Jorge Amado
A partir de: R$ 21,00
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