Um gol de placa aos 45 do 2º tempo – mesa 16 da Flip 2012

Neste domingo (08), uma das últimas mesas da Flip 2012, a mesa 16 surpreendeu ao tratar de forma descontraída o tema A imaginação engajada. O debate, mediado pelo professor João Cezar de Castro Rocha, trouxe o romancista e tradutor Rubens Figueiredo e o escritor sergipano Francisco Dantas. Cheios de bom humor e percepções singulares sobre o mundo que os cerca, ambos debateram os diversos papeis e formas de literatura.

Debate: Rubens Figueiredo, Francisco Duarte e João Cezar de Castro Rocha

O premiado Rubens Figueiredo – ele ganhou por duas vezes o prêmio Jabuti, além do premio São Paulo e o Portugal Telecom – se mostrou mais tímido, preferiu falar sobre seu mais recente romance Passageiro do fim do dia no qual narra a experiência de um jovem que em um dia cruza a cidade num ônibus comum e  percebe as interações humanas que podem existir naquele percurso, bem como seus preconceitos e teorias sobre a vida. Ele chegou a comentar que Darwin estar presente como leitura do personagem principal é uma pretensão de que a obra se inserisse num contexto literário maior. Além de romancista e tradutor – já traduziu diversas obras escritas em russo – Figueiredo é professor do ensino médio da rede estadual, e quando perguntado pela plateia sobre a influência da sua função de escritor nas tarefas do magistério, ele afirmou que, na realidade, são os alunos que acabam por lhe dar elementos que podem ser utilizados na ficção.

Com muito bom humor – o que é notável já que a mesa ocorreu numa fria manhã de domingo, último dia da festa – , Francisco Dantas ainda agradeceu a atenção recebida por toda a equipe da Flip e do hotel que atenciosamente havia passado sua camisa. Ele comentou sua obra de uma forma geral, explicando que é um escritor regional, pois não se sente à vontade para escrever sobre qualquer realidade que não lhe pertence. Além disso, citou Guimarães Rosa que, segundo ele, “libertou” os escritores da obrigatoriedade de serem engajados politicamente, sem ter deixado de realizar uma literatura consistente.

Os dois autores e a excelente mediação de João Cezar mostraram aquilo que deve ser o espírito da Flip: simplicidade, humildade e descontração para tratar de temas sociais e literários. Nesse debate, pudemos ver que a festa é para todos: tanto acadêmicos quanto curiosos de ocasião. Por isso, a Flip deve se justificar como um evento que, além de manter os que têm na leitura um hábito, deve procurar trazer aqueles que ainda acham esse mundo um enigma.

Comentário
  1. Portal Teia

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